Reflita: Em mais de cinco milhões de anos de evolução humana,
apenas um órgão passou a existir com o único propósito de proporcionar
prazer – o clitóris. Não é necessário para reprodução. Nem é como o
pênis, através do qual passa a uretra, usado também para urinar. Sua
única função – a sua finalidade singular – é fazer a mulher se sentir
bem!
Infelizmente, é justamente porque o clitóris não tem nenhuma função
além do prazer feminino que a ciência tem negligenciado estudá-lo tão
detalhadamente quanto o órgão masculino. Demorou séculos até que a
ciência alcançasse uma descoberta pertinente: o verdadeiro tamanho e
anatomia do clitóris.
Pergunte à próxima pessoa que encontrar onde está localizado o
clitóris. Provavelmente, a maioria das respostas vai ser algo como: “É
aquele pequeno bulbo na ponta dos pequenos lábios”, ou “É o botão sob o
capô”. Embora essas respostas não estejam exatamente erradas, a verdade é
que a maior parte do clitóris está, de fato, no interior da pelve – ou
seja, é muito mais interna do que externa. Mesmo mulheres bem informadas
sobre seus próprios corpos, reagem com uma mistura de fascinação e
confusão quando descobrem que seu clitóris se estende profundamente por
dentro delas.
O nome científico para o “pequeno botão” externo ou “bulbo” é
glande. Não deve ser confundido com glândula. Glande simplesmente se
refere a uma pequena massa circular. Essa estrutura reduzida contém
cerca de 8.000 fibras nervosas sensoriais – mais do que em qualquer
outra parte do corpo humano e quase o dobro da quantidade encontrada na
cabeça de um pênis! Equivocadamente, estudiosos pensavam que o clitóris
era completamente composto da glande; e porque ele é super sensível e
tudo que qualquer um pode ver do órgão, sua confusão é traduzida pela
maioria das mulheres hoje em dia. O fato é que, no entanto, a maior
parte do clitóris é subterrâneo. Consiste em dois corpos cavernosos
(corpus cavernosum, quando se refere à estrutura como um todo), duas
cruras (crus, quando se refere à estrutura como um todo), e os portais
clitorianos ou bulbos.
A glande está ligada ao corpo ou eixo do clitóris interno, o qual é
constituído por dois corpos cavernosos. Quando eretos, os corpos
cavernosos envolvem a vagina de lado a lado, ao redor dela, como se
dessem um grande abraço!
O corpo cavernoso também se estende além, bifurcando-se novamente
para formar as duas cruras. Essas duas pernas estendem-se em até 9
centímetros; apontando para as coxas, quando em repouso, e voltando-se
em direção à coluna quando clitóris fica ereto. Para visualizá-los em
repouso, imagine a crura como o osso externo da galinha (conhecido
popularmente como wishbone), juntando-se ao corpo do clitóris onde se
fixam à cartilagem do púbis.
Próximo a cada uma das cruras, em ambos os lados da abertura vaginal,
estão os portais do clitóris. Esses ficam localizados sob a grandes
lábios, internamente. Quando se enchem de sangue, eles de fato ”algemam”
a abertura vaginal, causando a expansão da vulva. Ao excitar esses
pequeninos, você terá uma entrada vaginal sedenta, mais apertada e
sensível para explorar!

Desenho do clitóris ereto
O que significa tudo isso? Bem, para começar, podemos finalmente
concluir o velho debate acerca de orgasmos vaginais vs. clitorianos.
Em 1953, Kinsey escreveu: “As paredes da vagina são muito
insensíveis, na grande maioria das mulheres (…) Não há evidência de que a
vagina é sempre a única fonte de excitação, ou mesmo a principal fonte
de excitação erótica em qualquer mulher.”
Então, em 1970, Germaine Greer publicou O Eunuco Feminino, que zombou
teoria de Kinsey. Ela escreveu: “É absurdo dizer que uma mulher não
sente nada quando um homem está movendo seu pênis dentro da vagina. O
orgasmo é qualitativamente diferente quando a vagina está preenchida por
um pênis, em vez de vaga”.

Desenho do clitóris em repouso
Curiosamente, ambos estão certos. A vagina não é a única fonte de
excitação, apesar de ser possível estimular o clitóris interno
perfeitamente com a manipulação, deslocamento, e exploração da vagina
com um pênis ou outro aparato.
Muitas mulheres podem chegar ao orgasmo sem nunca inserir nada dentro
de si mesmas. Eles causam a ereção do clitóris interno estimulando a
glande, bulbos e cruras, com o contato externo. O corpo cavernoso é o
tecido erétil adicional que abrange a vagina, uma área altamente erógena
quando estimulada internamente.
Vale lembrar que o orgasmo feminino não acontece apenas no clitóris e
na vagina. É muito mais complexo e envolve também o funcionamento de
múltiplos nervos, tecidos, músculos, reflexos e esforço mental. Algumas
mulheres conseguem chegar ao orgasmo com o pensamento. Outras têm
orgasmo simplesmente flexionando seus músculos pélvicos. Há muitas
variáveis e componentes envolvidos, é extremamente importante lembrar
que não existem duas pessoas iguais. O que funciona para uma mulher pode
não funcionar para outra. Em outras palavras, tudo é personalizado sob o
capô.
O que realmente assusta é a grande quantidade de desinformação que
existe em livros didáticos, guias profissionais médicos, e na internet. O
fato triste é que apenas a partir da década de 1990 os pesquisadores
começaram a usar ressonância magnética para estudar a estrutura interna
do clitóris. Até então, os detalhes intrínsecos do pênis já eram bem
conhecidos.
A urologista Helen O’Connell, do Hospital Royal Melbourne, começou a
entender melhor o constituição nervosa microscópica do clitóris usando
ressonância magnética – algo que já havia sido feito em relação à função
sexual dos homens nos anos 1970. Em 1998, ela publicou suas
descobertas, informando ao mundo médico do verdadeiro alcance e tamanho
do clitóris. No entanto, ironicamente, no mesmo ano, começavam a surgir
na América o Viagra, para curar a disfunção eréctil masculina.
Em 2005, a Associação Americana de Urologia publicou um dos
relatórios do Dr. O’Connell sobre a anatomia do clitóris. O próprio
relatório ainda afirma: “A anatomia do clitóris não tem sido estável ao
longo do tempo, como seria esperado. A maior extensão o seu estudo tem
sido dominada por fatores sociais. (…) Alguns livros de anatomia
recentes omitem a descrição do clitóris. Em comparação, há algumas
páginas dedicadas à anatomia do pênis”. O relatório também explica como é
aparentemente impossível entender a estrutura interna do clitóris com
apenas um diagrama. Vários desenhos são necessários para realmente obter
uma compreensão abrangente do mesmo.

Imagem 3D do clitóris ereto
Infelizmente, apenas recentemente em 2009, os pesquisadores franceses
Dra. Odile Buisson e Dr. Pierre Foldes deram ao mundo da medicina a
primeira e completa ultra-sonografia 3D do clitóris ereto. Eles fizeram
esse trabalho durante três anos, sem financiamento adequado. Graças a
eles, agora entendemos como o tecido eréctil do clitóris se enche,
envolvendo a vagina – um avanço que explica como o que era considerado
orgasmo vaginal é, na realidade, um orgasmo clitoriano interno.
Dr. Foldes realizou cirurgias em mulheres que sofreram mutilação
clitoriana, restaurando o prazer de mais de 3.000 pacientes
circuncidadas. Ele também fica assombrado com a falta de estudo em
relação ao clitóris:
“Quando voltei para a França para tratar a mutilação genital, fiquei
espantado que ninguém nunca havia sequer tentado. A literatura médica
nos diz a verdade sobre o nosso desprezo pelas mulheres. Durante três
séculos, há milhares de referências a cirurgia peniana, nada sobre o
clitóris, exceto para alguns tipos de câncer ou dermatologia e nada para
restaurar a sua sensibilidade. A própria existência de um órgão de
prazer é negado, medicamente. Hoje, se você olhar para os livros de
anatomia que todos os cirurgiões possuem, você vai encontrar duas
páginas acima. Existe uma excisão intelectual real”.

Imagem 3D do clitóris ereto em perfil
Então, agora você sabe. Como se toda a repressão, as influências
culturais, a culpa, as impressões da infância e os medos impostos pela
sociedade não bastassem, temos também as políticas medicinais que nos
mantêm no escuro. A grande notícia é que pesquisadores como o Dr.
Buisson, Foldes Dr. e Dr. O’Connell estão pavimentando o caminho para um
maior conhecimento … e maior prazer!
Fonte: Museum of Sex
http://sweetlicious.net/gerais/o-clitoris-interno-21383
* Lasciva é jornalista e deseja ir fundo no tema do sexo. Narra suas aventuras sexuais e amorosas no blog lascivacontatudo.com
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